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O mundo mudou, e Blade Runner também

Quando Blade Runner foi trazido a vida em 1982 pouco se falava de vários temas abordados por este, o medo das corporações ou impacto ambiental eram assuntos não muito debatidos além do meio acadêmico, e quando transpostos à tela criaram um tremendo choque (tanto que, antes da versão de diretor e o final cut, o filme era cult apenas pelo visual), então, com a vinda da continuação 30 anos mais tarde, como trazer esse choque como novidade? Era uma tarefa ingrata para Denis Villeneuve.



O choque causado pelas grandes metrópoles ou pessoas escravizadas não é mais o mesmo, e se for, é fruto de fingimento (ou vai dizer que você não se pergunta como esse maravilhoso celular foi fabricado?). Então ele tinha duas alternativas: apelar para a nostalgia barata e criar um filme sustentado em referências ao anterior ou criar um filme pessoal, e ao escolher a segunda alternativa foi feliz de ter uma ambientação extremamente condizente com a do filme anterior, a Los Angeles de 2049 tiveram os avanços que uma cidade teria em 30  anos (filme original se passa em 2019) e ainda cheiram como L.A. do filme original, ainda dando liberdade criativa para ele criar muito em cima dessa nova Los Angeles.

Prédios gigantes e letreiros luminosos não são mais tão assustadores, o aumento populacional e a população majoritariamente vivendo em gigantes periferias também não - diga-se de passagem que em 2049 o mundo chegará em 8 bilhões de habitantes, e destes 66% viverão em espaço urbano -, mas criar dilemas como a paixão de K por Joi atualizam muito a obra, isso sem contar, claro, as velhas reflexões a respeito do homem se encontrar na maquina ou questionar o quão reais são nossas memórias, que parecem funcionar ainda mais em tempos de internet.


Se estamos diante de uma mudança de comportamento - onde o gosto do público cada vez mais se alinha com o gosto da crítica - Blade Runner 2049 pode não contar com o azar do primeiro filme e se garantir e ter suas contas pagas. Seria uma prova incontestável que o público ainda gosta de boas tramas sendo contadas. A ficção científica viu nascer novos clássicos nos últimos anos, Inception, A Chegada, Ex-Machina, quanto indivíduos e sociedade estamos servidos de questionamentos (pelo menos na sétima arte).

Não é possível ser o original. É de Ridley Scott. É uma obra prima [...] O que mais me aterroriza nesse momento é que estou pegando Blade Runner e transformando em algo meu. Isso é assustador
Assim disse Villeneuve, e ao subir dos créditos ficou claro pra mim: estava diante de uma obra única, mais uma ficção científica digna de entrar para a história do gênero, um filme que honra o nome que carrega.


Leia também: O poder da memória em Blade Runner 2049


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