Header Ads

Breaking News
recent

Dunkirk é espetacular!

Não existem dúvidas de que Christopher Nolan é um dos diretores mais aclamados pela crítica e pelo público, sendo um dos responsáveis por possuir obras de peso que têm sua assinatura e marca na indústria cinematográfica. O diretor possui uma grande diversidade de gênero, transitando pelo drama familiar num contexto de ficção científica (em Interstelar), desenvolvendo uma batalha psicológica entre herói e vilão (Cavaleiro das Trevas) ou, até mesmo, explorando os traumas de um homem que teve sua esposa assassinada e busca por sua vingança (o surpreendente Amnésia). Agora, Nolan retoma os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, trazendo às grandes telas a Operação Dínamo, que tinha como objetivo retirar as tropas britânicas que foram encurraladas pelos alemães em sua invasão à França. Em  9 dias, aproximadamente 338 mil soldados foram resgatados de Dunkirk.

A história é dividida em três partes: na terra, no mar e no ar. Em terra firme, somos apresentados aos soldados que vivem o terror para regressar à casa. É nesse momento do filme que somos apresentados ao personagem Alex (Harry Styles, ex-cantor do One Direction que impressiona) e Gibson. No mar, acompanhamos a trajetória do Senhor Dawson, que lidera seu pequeno barco em busca dos soldados enclausurados em Dunkirk. No ar, Ferrier (que no meio do filme descobri ser Tom Hardy) acompanha mais dois pilotos para batalhar no Canal da Mancha.
O foco da narrativa não é no desenvolvimento de personagens, o que gerou um problema na experiência de alguns, o foco de Nolan era na imersão e na atmosfera em que aquelas pessoas viviam (ou melhor: sobreviviam) à espera de alguma salvação do mar, e pela tentativa de criar um ambiente totalmente imersivo Nolan, de modo visivelmente proposital, prefere manter um certo nível de desconhecimento nosso, como público, com os personagens tentando fugir de Dunkirk (como numa guerra real em que você não tem flashbacks de seus soldados parceiros de meia em meia hora), mas isso me causou um efeito positivo, como se eles lá pudesse ser qualquer um. Essa escolha, embora funcione para o que foi proposto pelo diretor, tornou o final do filme forçado emocionalmente, já que em nenhum momento houve de fato uma empatia com aqueles personagens, mas não totalmente falho se a intenção de Nolan tiver sido apenas de criar uma sensação reconfortante de lar quando o pior já passou. A propósito, o filme possui poucos diálogos e muitos momentos em que a trilha (espetacular) de Hans Zimmer toma conta desse papel. O compositor criou um de seus melhor trabalhos, os momentos de tensão são compostos com uma exatidão cirúrgica, o som parece construir um momento que nunca chega, o que só aumenta a tensão para a próxima tentativa de fuga ou tiroteio aéreo, a melancolia dos personagens é passada também pela trilha mas parece nunca forçar uma emoção inexistente em seu público como blockbusters costumam fazer. Uma obra tecnicamente perfeita com uma trilha perfeita.
A sequência inicial de Dunkirk mostra como será a experiência do espectador do início ao fim do longa: tão tensa como a dos soldados aliados. Nolan constrói uma imersão que pouco se vê no cinema contemporâneo, usando a misancene e a sonoplastia a seu favor. Em nenhum momento do filme é mostrado o semblante de um soldado alemão; existe apenas a atmosfera de tensão inimiga numa crescente. Essa escolha, além de audaciosa, complementa a proposta de colocar o público na atmosfera triste, caótica e desesperadora que os britânicos (além de franceses e belgas) viviam naquela praia. Os longas-metragens que buscam retratar o horror da guerra optam por expor a violência visual, como o próprio Mel Gibson fez no recente Até O Último Homem. Em Dunkirk, a violência passa longe de visceral e suas explosões nunca exageradas por realmente não ser o intuito de Christopher. É a guerra como ela é.

Nenhum comentário:

@ArturAlee #GeekDeVerdade. Tecnologia do Blogger.